quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Quantas pessoas admiráveis pensam num futuro repleto de viagens, bons empregos, amores duradouros, enfim, planos... Quantas pessoas também tão admiráveis quanto essas, não pensam muito sobre isso tudo e encontram a felicidade na tranqüilidade do momento presente? Lançando todos os planos no agora ,com algum jogo de cintura é verdade; no agora. Afinal, os sonhos são feitos de uma matéria tão duvidosa que até parecem desmanchar quando a gente consegue tocar.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Costumo andar a paços largos e rápidos pelo asfalto, dobro cada esquina com uma esperança mórbida de que tudo vai mudar, de que tudo um dia precisa mudar, de que eu um dia vou mudar de casa, de pessoas, de estado de espírito. E é esse dobrar de esquinas que me mantém em pé e que dá a força necessária para meus músculos e minha mente contida de sonhos inacabados continuar caminhando mesmo que em estado mórbido. Navegar é preciso, viver não é preciso, disse um dia Fernando Pessoa. Navegar, imaginar... Sou uma comedora de sonhos, caminho sempre a passos leves e largos, na esperança de um dia voar... De poder voar com todas esses indivíduos maravilhosos que aparecem na minha frente, nos meus lados ou pelas minhas costas. Todos esses indivíduos lindos que passam tão despercebidos pelas esquinas do dia a dia. Não, despercebidos não é a palavra certa! Percebidos, mas descartados por atitudes esborradas de medo e mascaradas de indiferença de conhecer, de saber, de apreciar e entender o outro, viver do outro e com o outro. E é sempre assim que a angústia me assola, apesar de o dia estar lindo e do acariciar de ventos em meu rosto... É, o dia não respeita a minha angústia, nem mesmo a sua. Vai ver é uma tentativa tola de nos acalentar com um pouco de sol e céu azul, até que funciona um pouco.

domingo, 21 de novembro de 2010




Esotérico

(Gilberto Gil)


Não adianta nem me abandonar

Porque mistério sempre há de pintar por aí

Pessoas até muito mais vão lhe amar

Até muito mais difíceis que eu pra você

Que eu, que dois, que dez, que dez milhões

Todos iguais



Até que nem tanto esotérico assim

Se eu sou algo incompreensível

Meu Deus é mais

Mistério sempre há de pintar por aí



Não adianta nem me abandonar

Nem ficar tão apaixonada, que nada!

Que não sabe nadar

Que morre afogada por mim

sábado, 20 de novembro de 2010


Gosto sim é dessas criaturas que botam a minha vida de cabeça pra baixo, e que quase sem querer, vai me desconstruindo aos poucos a ponto de eu nem mesmo perceber. E aí, quando finalmente me olho no espelho, consigo enxergar os rastros de gente bonita, de gente feia, de gente confusa, de gente cheia de coragem, de humanidade transbordando de mim... E o mais engraçado, é que não me sinto despersonalizada, desalmada ou um nada qualquer; sinto-me tão mais, mais, mais...

terça-feira, 2 de novembro de 2010


Escrevo na tentativa de guardar imagens. A minha imagem, a imagem dos outros, a imagem de uma estória condensada no infinito e exato momento do olhar... A inebriante e gostosa estória de um mau amor, tão mau que é bom, tão bom que é mau!

Era uma vez, um navegante e mais três. Eis que surge uma donzela efetivamente de porre portadora de um cigarro no canto da boca. Lês deux amants, ali no meio de ventos um tanto assanhados e ondas de dar medo trocaram olhares demorados. Era o instante exato em que pai e filha se reconheciam um no outro, amedrontados pelo arrepio que se perpetuava no corpo quando o choque de vidas passadas, vividas, romanceadas vinha à tona. Dois corpos e centenas de vidas na bagagem e isso pesava de modo que eles se esforçavam para não caírem um em cima do outro, na parede ou no chão, continham-se. Mas era justamente esse “conter-se” a calda viscosa da relação baseada em apertar demais e pouco afrouxar. Afrouxados, eram um problema... O valente navegante precisou unir as forças de todo o seu batalhão de vidas a fim de garantir sua lealdade à outra amada, A amada, a esposa que o esperava com um café quente ao lado da cama.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010




Calor infernal subia pelo asfalto; caminhou com algum esforço necessário para chegar até o bar mais próximo e pedir uma cerveja gelada, daquelas que cortam a pele da garganta. Se sentou numa daquelas mesinhas no canto pra gente como ela e fez o pedido. O dia não era um dia qualquer, mas uma sexta-feira sagrada. Bebeu o primeiro gole e a cerveja, apesar de não muito gelada como imaginara, desceu suave como tudo naquele momento. Pensou que a sexta-feira deixava as coisas assim: com um quê de leveza. A cerveja natural, toda a gente chata, a rotina, tudo descia estranhamente leve.
Ele estava atrasado... Qual seria a exata razão? Um simples engarrafamento, pensou. Ou seria seu descaso total para com ela?? Um homem que se preze não deixa mulher nenhuma esperando, pelo fato de que é assim e ponto.
Na verdade, deixando o sexo de lado, fazer esperar é sempre feio. Mas vamos combinar que essa atitude vinda de um homem é muito mais desprezível, afinal, somos regados à uma cultura patriarcal em que o macho é o gentleman da estória, os deveres dos homens não são os mesmos deveres destinados às mulheres e vice-versa. Tolice! Ninguém sabe a razão de tudo isso e daquilo e desse outro, mas com certeza deve haver alguma.
Mas, voltando... O que haveria de errado com ele? Ou seria ela a errada? Neuroses de um complexo materno crítico. A sua auto-estima variava como as fases da lua, ou pior, como um sinal de trânsito que a cada instante muda. Em um determinado momento a rua estava disponível para a livre circulação de veículos, eles passavam livremente sem nenhum estresse. Mas havia também os momentos vermelhos de paranóia e uns amarelos de indecisão que eram só transeuntes e no máximo, bicicletas.
E a vida seguia depressa, com algumas ínfimas bicicletas sem muita importância que adentravam de quando em quando por ali. Sorte dela, melhor bicicletas que a rua vazia. Qualquer coisa é melhor que o vazio, uma dor significante como a que sentia agora era melhor. Que grande bobagem! Nem o conhecia de todo, me diga, pra quê toda aquela agonia? Bebeu mais um gole da sua cerveja natural. Estava sozinha. Só em uma mesinha de bar, enquanto as outras mesas estavam abarrotadas de gente de mãos delicadas e sorrisos largos, aparentemente felizes. Claro que eram felizes, com tamanhos sorrisos como não seriam? Sozinha com um copo de cerveja na mão esperando uma possibilidade. É, ele era apenas uma possibilidade e justamente por isso tinha tanto valor! Porque isso podia se tornar aquilo, todos sabem que a semente se torna árvore um dia.

domingo, 3 de outubro de 2010




E te digo uma coisa... você é culpado! Sim, culpado por essa fumaça que percorre meu corpo a cada 5 minutos. E os meus cabelos brancos? sim... Tudo sua culpa. A culpa de meus quilinhos a mais de puro chocolate, a culpa por minhas numerosas lágrimas, a culpa de meus gritos sufocados... Guilty. Ah... E a maior de todas as culpas: culpado por eu finalmente me sentir viva.