domingo, 3 de outubro de 2010




E te digo uma coisa... você é culpado! Sim, culpado por essa fumaça que percorre meu corpo a cada 5 minutos. E os meus cabelos brancos? sim... Tudo sua culpa. A culpa de meus quilinhos a mais de puro chocolate, a culpa por minhas numerosas lágrimas, a culpa de meus gritos sufocados... Guilty. Ah... E a maior de todas as culpas: culpado por eu finalmente me sentir viva.


A dança




As pernas soltas no ar me fazem lembrar,
Os braços soltos no ar me fazem lembrar,
Quadris, mãos, olhos e pensamentos soltos me fazem lembrar
Do que me dói, do que é vivo, da infinitude do infinito, de você (tão estranho e tão íntimo).
Fico me perguntando porque o inesperado SEMPRE vem ao meu encontro, mesmo quando eu não peço por isso. Devido a tal infortúnio ,que também é benção, te tenho apenas como mais um alguém , que por sorte, virá a ser menos... menos.... menos....

sábado, 11 de setembro de 2010





12 de Setembro de 1991:

Desde esse dia, venho nascendo e morrendo, nascendo e morrendo, nascen...
Por uns segundos enxergo pra depois não ver mais nada.
Entre a dor e a vertigem há o que se comemorar.

sábado, 28 de agosto de 2010





olhos nos olhos e o mundo inexiste.
Me afundo naquela cor castanho-claro-brilhante-vivo,
castanho-claro-medo,
castanho-claro-enfeitiçado por olhos negros-noite-ciganos com um quê de preto-breu-espiritual, preto meu.
A cor em que tu se afundou de tal forma que desafogou depressa e respirou fundo, amedrontado pela possibilidade de ser engolido alí mesmo. Massante pecado desviar os olhos...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010



vermelho profano

O sangue se mistura com a água e esvai-se pelo ralo, o meu sangue. Sou mulher, mas funciono como cadela no cio. No fundo das coisas, não há diferença entre uma cadela que solta sangue pela vagina e uma mulher que solta sangue pela vagina. As duas procuram um macho alfa pra se satisfazerem, e depois outro, e depois outro e assim sucessivamente. A feminilidade é vermelho sangue. Eu, particularmente, gosto muito dessa cor que sai de mim. É tudo tão íntimo, tão claro e visceral... Os ciclos da lua, das marés, da rotação da terra, de todo o funcionamento do universo está nesse sangue que vai embora pelo ralo,pelo esgoto,pelo mar,pelos rios que alimentam as plantas que nos alimentam fechando ciclos,ciclos,ciclos! Todos aqueles leões famintos farejam o odor amargo sangue a quilômetros de distância, olham para os lados embriagados procurando... Os movimentos sinuosos, o ar imperial e os olhos hipnotizantes daquela que não se sabe nomear: misto de divino que é profano e um punhado de carne, tanta carne! A saliva escorre pelo canto da boca dele, enquanto ela caminha fingindo não ser nada, sendo tudo. Pobre leão.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010



Pelas janelas do ônibus, pessoas correndo de um lado para o outro. De longe, é só isso que é possível enxergar: alguéns ocupados com as botas, com simples botas. Criam um sistema complexo para resolver a questão das botas. "Ah, porque as botas são elementos cruciais!" Cruciais! Que grande besteira! Enquanto isso, os pés continuam sufocados dentro das botas esperando a sonhada notoriedade. E quando olho nos olhos desses mesmos alguéns, consigo sentir o choro dos pés calejados, o sufoco. Ahh...Se um dia eles mandassem as malditas botas para o inferno! Ahh...se esse dia chegasse... Talvez o mundo funcionasse melhor com todos de pés descalços, fincados na terra.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010



Eu danço,
Você permanece estático.
Eu rio,
Sua vontade é de tapar o meu sorriso para que ninguém mais o aprecie.
Eu gosto disso, e sem pena, rio ainda mais alto!
Dor, não se sabe onde. Mas é uma cólera, uma ferida em que eu piso forte, sangra... Sangra tanto. Me desculpe, não posso evitar.